Sofrimento e preconceito
Nos últimos meses, o Leonardo está escrevendo bastante em seu blog sobre a depressão que sofre.
Entre os comentários desse post, é possível encontrar sinais de um pensamento comum por aqui: quem é rico não tem o direito de sofrer. Em outras palavras, se você não passou por dificuldades (materiais) na vida, sinto muito amigo, mas sofrer não pode.
Sofrer então seria um direito exclusivo de quem é pobre.
Poderíamos criar faixas de renda, assim fica fácil saber quem pode sofrer e quem não pode.
Por exemplo. Quem é miserável, nunca teve um salário na vida, passa fome e etc. ganha o pacotão completo: pode sofrer por qualquer coisa. Doenças mentais, doenças degenerativas, perdas (isso se tiver alguém, claro) e por aí vai.
Uma faixa de renda entre R$ 100,00 e R$ 300,00 pode sofrer também, mas há restrições. Talvez não possa sofrer com todo o tipo de doença degenerativa.
Vamos dar um salto. Digamos que você ganhe entre R$ 2000,00 e R$ 3000,00. Quais seriam seus direitos de sofrimento? Poucos, com certeza. Um salário desses no Brasil é muito alto, talvez você possa chorar por perdas na família. E só.
É rico? Heh. O melhor que tem a fazer é aprender com o senhor Spock.
January 19th, 2008 at 13:38
Interessante abordagem. Não havia pensado nisso.
Há uma “”filosofia”" de que quanto mais dinheiro você tem, menos direito tem de reclamar das coisas, mas tem o direito de ser roubado, de ser explorado, etc Pois afinal você tem dinheiro, e provavelmente o obteve da exploração de outrem, etc (claro que existem muitas graduações aí)
E acho que tem uma questão (genericamente falando) sofrer vs. se fazer de vítima.
O que não tira o fato de que os seus problemas “independem” de quanto dinheiro você tem.
Infelizmente não sou trekkie o suficiente para fazer a ligação com o Sr. Spock, mas bom. :P
January 20th, 2008 at 18:43
O fato é que quem tem mais dinheiro, ou mais educação, ou mais cultura, ou mais inteligência, tem mais ferramentas à sua disposição para resolver seus problemas.
Assim como existe gente pobre que usa a pobreza como desculpa para fazer bobagem, também tem gente que tem necessidade de se sentir coitada *apesar* de não ser pobre, e existe gente que se sente um lixo *por* não ser pobre.
Em se tratando de ser reclamão, o talento do ser humano é inato e infinito, e independe de classe social.